Aconteceu nos dias 21 e 22 de agosto o II Fórum Latino Americano de Iluminação, em São Paulo, que reuniu importantes lighting designers de diversos países com o objetivo de fortalecer a profissão e proporcionar a troca de conhecimentos entre palestrantes e participantes. O evento, inédito no Brasil, teve sua primeira edição realizada em 2006, no Uruguai.
Organizado pela AsBAI (Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação), o Fórum obteve aproximadamente 200 participantes.
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Cristina Maluf, Presidente da AsBAI.
O início foi marcado com uma apresentação emocionada da arquiteta Esther Stiller, que relembrou a história da iluminação no País por meio de sua experiência profissional como sucessora do arquiteto Livio Levi e também mostrou alguns trabalhos seus e de colegas lighting designers. “Achei bem interessante, principalmente os exemplos do que devemos ou não usar”, disse a arquiteta Roberta Oliveira.

Esther Stiller
O Fórum não apresentou a iluminação apenas como item para embelezamento arquitetural, mas todas as questões de saúde envolvidas no uso da luz. Um exemplo disso foi a palestra da professora Dra. Mariana Figueiró, do Lighting Research Center do Rensselaer Polytechnic Institute, Estados Unidos, que mostrou diversos estudos sobre a influência da iluminação na saúde de pessoas de idades distintas. “Achei muito técnico, mas de muita serventia porque não temos esses estudos no Brasil”, comentou a arquiteta Isis Ferraz Virmond.

Dra. Mariana Figueiró
A problemática da sustentabilidade e da eficiência energética também foi tema recorrente de inúmeras palestras, como a do professor Dr. Mark Rea, diretor do Lighting Research Center do Rensselaer Polytechnic Institute e do professor Matthew Tanteri, da Parson’s School of Design, também dos Estados Unidos. “Use materiais a serviço da luz e não mais luz, assim você economiza energia. É preciso fazer mais com menos”, explicou Tanteri. Sobre o gasto energético da iluminação, Rea é categórico: “Não estamos pagando por isso ainda, mas alguém está pagando e nós pagaremos no futuro”, afirmou em relação aos custos ambientais.

Dr. Mark Rea
A palestra da arquiteta argentina Eli Sirlin também focou a sustentabilidade e, para ela, a iluminação deve ser algo “durável, simples e com economia de recursos”. O Prof° Helmut Köester mostrou como a iluminação pode ser mais sustentável integrando a iluminação natural e artificial em projetos. “Essa técnica é muito importante, principalmente no Brasil que pode aproveitar muito bem a iluminação natural”, concluiu.

Eli Sirlin

Helmut Köester
Além de explicar de maneira dinâmica vários aspectos da iluminação divididos em conceitos de triângulos, durante sua apresentação o engenheiro e disenãdor de iluminación Álvaro Nieva relatou alguns erros em projetos de outros profissionais, o que garantiu risos e descontração aos participantes.

Álvaro Nieva
Uma das mesas redondas que aconteceram durante o Fórum foi conduzida pela arquiteta Mônica Lobo. Segundo ela, quem pretende ser lighting designer deve se preocupar em obter uma educação de qualidade e no comprometimento com a ética. “Você deve pensar bem quando abraçar a carreira porque um mau projeto pode prejudicar todos os colegas de profissão”, concluiu.

Mônica Lobo
Na segunda rodada de discussões, o arquiteto Alberto Botti foi enfático ao falar sobre o que é importante nos projetos. “Cada detalhe deve ser cuidadosamente tratado. A soma de detalhes é o que dá o conjunto final. É condição absoluta para a qualidade pretendida”, disse. E completou, “a luz é parte desse conjunto”.

Alberto Botti
Também fizeram parte das mesas redondas: Pascal Chautard (presidente da Associação Chilena), Ricardo Hofstadter (Uruguai), Profº Álvaro Nieva (México), Profº Helmut Köster (Alemanha), Eli Sirlin (Argentina) e o Profº Matthew Tanteri (EUA).

Pascal Chautard

Ricardo Hofstadter

Matthew Tanteri
Sucesso unânime
Como reflexo do sucesso de público, a AsBAI – organizadora do Fórum – ficou satisfeita com o resultado de um trabalho árduo que envolveu os seus diretores durante muitos meses.”Queria que as pessoas sentissem o que é um bom encontro sobre iluminação e as pessoas perceberam”, afirma a arquiteta Esther Stiller.
“Acredito que a Cristina fez um trabalho maravilhoso. Vou para conferências em diversas partes do mundo, mas estar aqui foi muito bom pelo entusiasmo das pessoas. Espero que o evento possa ajudar o mercado de iluminação”, disse Mark Rea logo após sua apresentação no Fórum.
Para a presidente da Associação, arquiteta Cristina Maluf, o Fórum conseguiu atingir seu objetivo que era de fortalecer a imagem da associação, qualificar os profissionais e promover a profissão com qualidade e excelência. “Foi muito além das nossas expectativas. Foi tudo perfeito em termos de concepção e organização”.
“O evento superou todas as minhas expectativas”, afirmou a arquiteta Angélica Duarte que, como muitos participantes, deixaram o Fórum com o desejo de que haja outras edições do evento no Brasil. O pedido deve ser atendido, porque Cristina Maluf adianta que já há planos de repetir o evento com a mesma qualidade. “A ideia é que façamos a cada dois anos, sempre com três dias de curso intensivo antes do Fórum”.
CURSO
Entre os dias 18 e 20 de agosto, os professores Mark Rea e Mariana Figueiró ministraram um curso intensivo de formação técnico-científica para arquitetos e lighting designers. O sucesso foi tão grande que as inscrições ultrapassaram as expectativas e a organização teve que abrir uma sala extra para comportar todos os profissionais que quiseram participar do curso. “Foi sensacional, incrível. Foi importante para mostrarmos ao mercado que a iluminação não é matéria tão simples como as pessoas pensam”, afirmou a arquiteta Junia Azenha.
“O curso terminou com muitos aplausos e com o desejo de querer mais. Isso foi muito gratificante”, conta Cristina Maluf. “Agradeço aos professores, cujo empenho e dedicação tornaram possível esse curso”, disse emocionada.
Os professores que vieram ao Brasil especialmente para a ocasião deixaram o País entusiasmados. “Fiquei muito impressionada com os participantes. Apesar de ter sido um curso bastante técnico, todo mundo demonstrou grande interesse”, afirmou M. Figueiró.
Todo o empenho dos profissionais inscritos deve-se ao conteúdo qualificado da programação. “Foi bem específico e profundo. Fiquei surpresa porque foram abordados conceitos científicos de iluminação com um teor que eu não vi em nenhum curso aplicado no Brasil”, contou a arquiteta Nídia Borelli, que participou de diversos seminários no País e na Itália.
As aulas serviram de aprendizado tanto para jovens quanto para experientes lighting designers. “É excelente para refrescar a memória. Esse tipo de situação proporciona momentos de reflexão e, se bem conduzida, como foi o caso, nos aguça a criatividade. Aqui ocorreu uma série de novas ideias”, afirmou o lighting designer Guinter Parschalk.
Essa realização faz parte do Programa de Formação Profissional da AsBAI, que terá prosseguimento por meio dos módulos I - para aqueles que não participaram no ano passado – e II, com previsão de acontecimento para ainda este ano, ambos sob os cuidados de Esther Stiller.
